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Técnica não invasiva auxilia no tratamento da disfunção temporomandibular e paralisia facial de Bell

(Texto baseado na reportagem do Jornal da APCD – julho de 2.015 - 16)

Uma pesquisa realizada no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP, pelo professor Vitor Hugo Panhóca, avaliou dois métodos que confirmam a aplicabilidade do LASER de baixa potência (LTBP) e do LED (LEDT), sejam vermelho ou infravermelho, no tratamento das DTMs e da paralisia de Bell.

Segundo o Dr. Vitor Hugo, a utilização do LTBP e do LEDT como analgésico já faz parte da bibliografia médica há anos e a LTBP é muito utilizada na odontologia e na fisioterapia com diversos efeitos, cicatrizante, anti-inflamatório e analgésico. Diante disto, teve a ideia inovadora de comparar os efeitos analgésicos das duas modalidades e seus estudos concluíram um mesmo grau de eficiência.

A aplicação da luz é sobreposta através de uma caneta, cuja ponta ativa é direcionada à pele da região a ser tratada, e a temperatura produzida não ultrapassa os 5,7oC, um nível bastante seguro. Para as DTMs, foram irradiados três pontos ao redor das articulações temporomandibulares (ATMs), um ponto sobre as fibras anteriores do músculo temporal e um ponto sobre o corpo do músculo masseter, durante oito sessões mensais. Todos os trinta pacientes apresentaram analgesia, maior amplitude de movimento mandibular e uma melhora na qualidade de vida. A LTBP e a LEDT aceleram o restabelecimento da mastigação, podendo impedir o retorno dos sintomas por vários anos.

Quanto à paralisia de Bell, seu principal sinal é uma súbita fraqueza nos músculos faciais, fazendo com que a metade do rosto pareça caída ou inclinada, com perda dos movimentos faciais. Até hoje, pacientes paralisados são submetidos a tratamentos térmicos, fisioterapêuticos e vitamínicos, sobretudo com o complexo B, que ajuda na regeneração do nervo facial. Estudos atuais têm mostrado que a LTBP pode ser um coadjuvante importante no tratamento da paralisia de Bell e, nestes casos, foram realizadas aplicações infravermelhas de sessenta segundos por ponto no trajeto do nervo facial, duas a três vezes por semana. Os resultados, com recuperação dos movimentos, variam de dois a seis meses de terapia. Segundo o especialista, é expressamente considerável que o tratamento inicie o mais rápido possível após o surgimento da paralisia, porém é imprescindível que os pacientes tenham um diagnóstico médico adequado, se possível de um neurologista, para se certificar de que se trata da paralisia de Bell.

Tenho usado a LTBP, com muito sucesso, nos casos de dor neuropática, sobretudo na nevralgia trigeminal, em cujos casos, os pacientes deixaram de ingerir a medicação anticonvulsivante como a Carbamazepina e a Gabapentina em menos de um mês de terapia. O protocolo utiliza aplicações de 4J do LASER infravermelho a cada 1 cm do trajeto do ramo nervoso afetado. Em média, dez sessões são suficientes para a observação de uma melhora e, nos casos de persistência, repito a operação após trinta dias.

A LTBP e a LEDT são, sem dúvida, importantes auxiliares no manejo das dores orofaciais e das paralisias e, surpreendentemente, não são procedimentos invasivos.

 









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