Artigos e Teses


Insônia

A insônia crônica é o distúrbio do sono mais frequente, com alta prevalência na população em geral. Estima-se que 20 a 40% das pessoas apresentem o problema, que traz diversas consequências negativas, afetando o desenvolvimento intelectual, social e vocacional como a realização de tarefas, as relações interpessoais, o humor, a vida social e familiar e o enfrentamento, além de contribuir para o surgimento de doenças como as gastrointestinais e as cardiovasculares, o diabetes, a obesidade, a depressão, os transtornos de ansiedade e condições relacionadas à dor, motivos pelos quais o tratamento clínico da insônia é fundamental.

No âmbito profissional, diferentes estudos mostraram que os distúrbios do sono causam redução da satisfação com o trabalho, menor produtividade e rendimento, com maior risco de erros e aumento do absenteísmo.

Nos idosos, provocam um aumento do risco de quedas e, consequentemente, fraturas ósseas, além de afetarem a atividade física ao reduzirem a velocidade para caminhar e provocarem uma incapacidade de ficar em pé sem ajuda e realizar um passeio curto.

Embora os distúrbios do sono sejam mais frequentes em idosos, crianças e adolescentes não estão isentos, sendo que um em cada quatro deles tem insônia. Além dos idosos, frequentemente acometem mulheres na menopausa. Apesar do elevado índice de ocorrência da insônia, a maioria dos indivíduos com distúrbios do sono não são diagnosticados.

A insônia é frequentemente descrita de forma subjetiva, como uma queixa relacionada à redução da qualidade ou da quantidade de sono, tais como dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes, despertar precoce pela manhã ou a sensação de que o sono não foi reparador, ou é abordada pelos sintomas diurnos que desencadeia, como fadiga, irritabilidade e falta de concentração e memória.

Pode ser classificada como primária ou surgir como consequência de uma doença concomitante, sendo então denominada insônia comórbida. Existem três tipos de insônia primária: idiopática, psicofisiológica e paradoxal. O subtipo idiopático inicia-se na infância ou na adolescência e manifesta-se de maneira persistente e incessante. Mais frequentemente, a psicofisiológica surge como consequência de uma má resposta adaptativa do paciente, pela qual ele associa o quarto a um estímulo excitatório e não um local de sono. Essa percepção, via de regra, se relaciona com a ocorrência de algum evento que provoca uma insônia aguda, que evolui para um distúrbio de sono persistente, mesmo com a resolução do fator precipitante. Este tipo de insônia apresenta duração mínima de um três meses e é reconhecida por diferentes manifestações, incluindo excesso de preocupação como o sono e maior ansiedade associada a ele; dificuldade para iniciar o sono no momento desejado, porém inexistente durante atividades monótonas ou quando não há intenção de dormir; maior facilidade para iniciar o sono quando está fora de casa e maior tensão na cama por se sentir incapaz de relaxar. Finalmente, o paradoxal, que se caracteriza pela existência de uma diferença significativa entre a descrição da duração do sono pelo paciente e os achados da polissonografia. A insônia comórbida pode ser consequência de transtornos psiquiátricos, doenças neurológicas, distúrbios primários do sono ou efeitos adversos de medicamentos utilizados.

Dependendo da duração dos sintomas, a insônia pode ser classificada como aguda, quando acontece uma noite por semana durante algumas semanas, talvez associada a fatores estressantes, emocionais ou físicos (doenças, jetlag e alterações emocionais), ou crônica, três noites por semana durante o período de três meses, geralmente associada a doenças clínicas ou transtornos psiquiátricos.

Embora existam poucos estudos que tenham avaliado a história natural da insônia, sabe-se que os distúrbios do sono não se resolvem espontaneamente e a ajuda profissional é sempre necessária.

(texto baseado no artigo Prevalência e Consequências da Insônia da Academia do Sono e escrito por Danielle Louise Sposito Bourreau)









Compartilhe