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Ronco e apneia obstrutiva do sono

Quem ronca não tem qualidade de sono, isto é fato. Quem não tem qualidade de sono, geralmente, tem bruxismo do sono, o apertar ou ranger de dentes durante a noite.

Para esclarecer, o ronco surge de uma anomalia no mecanismo funcional das vias aéreas superiores, a qual promove uma obstrução do fluxo de ar parcial (hipopnéia) ou total (apnéia obstrutiva).

Suas causas são associadas ao excesso de peso, que promove depósitos de gordura ao redor das vias aéreas; a um estreitamento destas vias devido à hipertrofia das amígdalas ou adenoide ou pela retrusão mandibular; ao consumo de bebidas alcoólicas, sedativos, tranquilizantes ou relaxantes musculares, que relaxam a musculatura da garganta e do palato mole e ao uso do cigarro, visto que fumar aumenta o risco de inflamação das vias aéreas.

A baixa qualidade do sono aumenta a liberação dos hormônios do estresse (cortisol e adrenalina, entre outros) e desequilibra os hormônios da fome e da saciedade (leptina e grelina), além de criar uma resistência à ação da insulina e proporcionar menos disposição às atividades físicas, favorecendo o aparecimento da obesidade, do diabetes, da depressão e dos distúrbios de ansiedade.

A apnéia obstrutiva do sono é uma doença que dá sinais e devemos estar atentos a roncopatia frequente; boca seca; sudorese, falta de ar e asfixias; despertares; sono inquieto ou agitado; movimentos bruscos; pesadelos e terrores noturnos; refluxo gastroesofágico e azia; sonolência diurna excessiva, cansaço, irritabilidade e alterações de humor; cefaleias matinais, redução da libido e falta de concentração, de memória e de rendimento cognitivo.

Suas consequências para a saúde são neurológicas (risco de AVC), cardiovasculares (hipertensão arterial, arritmias, doenças coronárias e insuficiência cardíaca), metabólicas (dificuldade para emagrecer e distúrbios glicêmicos), comportamentais infantis (deficiência de aprendizagem e crescimento e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), morte súbita, além do aumento do risco de acidentes, sejam domésticos, de trânsito ou de trabalho.

Para confirmação do diagnóstico, uma anamnese bem feita, a aplicação de questionários específicos e uma polissonografia são bastante importantes.

Hoje em dia, os tratamentos são, em sua maioria, clínicos, realizados através do uso de aparelhos intraorais, cujo mecanismo de ação se baseia em um avanço mandibular controlado e confortável, que aumenta o tônus muscular e o diâmetro das vias aéreas; do uso do CPAP (continous positive airway pressure), um pequeno compressor elétrico que fornece ar pressurizado para as vias respiratórias, assegurando uma ventilação durante o sono e de exercícios fonoaudiológicos, que ajudam a fortalecer os músculos da orofaringe, usualmente flácidos. Os procedimentos cirúrgicos são, atualmente, menos utilizados, indicados quando há necessidade de uma correção ortognática associada. O cirurgião- dentista é um grande aliado no tratamento dos distúrbios do sono e este tratamento é, sempre, multidisciplinar. (Danielle Louise Sposito Bourreau)








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